A Sabedoria
Afirma o filósofo e físico L.L. Whyte, que a tradição intelectual do ocidente foi marcada por aquilo que ele chama de dissociação. Desde Platão, a dissociação entre o corpo e a mente, a personalidade e a natureza, o intelecto e o senso do sentimento e da intuição, tem impregnado toda e qualquer abordagem da vida, adotada pelo homem ocidental: intelectual, religiosa, econômica e política. Normalmente as raras exceções a esta tendência têm sido os poetas, os místicos e outros que estão situados na periferia da vida sócio-cultural.
Continua Whyte:
Se a natureza, no todo, é um grande sistema em perpétua transformação e desenvolvimento, a tentativa de isolar qualquer parte está destinada ao fracasso. Em particular, a separação do homem, como dependente, do campo da natureza objetiva, cega-o para a forma de vida apropriada para ele. O homem só pode compreender-se plenamente fundindo o conhecimento objetivo, obtido através da observação da totalidade da natureza orgânica, com o conhecimento subjetivo, de experiência individual. Isso pode trazer uma nova tranqüilidade e auto-aceitação, uma simplicidade baseada no conhecimento. Os preconceitos negativos da moralidade convencional são substituídos por um entusiasmo positivo pela vida em desenvolvimento.
Stephen Arroyo observa que Blaise Pascal, além de outros, negou que o mundo e, especialmente, o homem pudessem ser verdadeiramente compreendidos por meio da análise racional. Ele afirmou que a intuição, isto é, ver através da superfície das coisas e penetrar no seu mistério essencial era, fundamentalmente, a chave para se compreender o homem e o mundo.
As grandes escolas de mistério da Antigüidade ensinaram que a consciência humana só é limitada pelas fronteiras intelectuais arbitrárias que ela impõe a si mesma.
A contribuição dos gregos não se limitou à descoberta de certas leis naturais em atividade no mundo material; ela também se estendeu até os domínios da vida e do desenvolvimento interior do indivíduo. Conhece-te a ti mesmo foi a idéia-chave básica para o desenvolvimento da filosofia grega. Formava-se a sabedoria através da pesquisa sistemática em busca das verdades essenciais, ocultas sob a vida e a natureza e uma tentativa de descobrir não só as leis naturais, mas também as leis metafísicas universais e da própria vida.
O intelecto é principalmente vantajoso para a utilização do mundo exterior, material. Mas até agora a aplicação de uma análise puramente intelectual para se chegar à compreensão do mundo interior da experiência, não tem sido capaz de provar ou desaprovar coisa alguma acerca das questões fundamentais filosóficas ou religiosas, da vida, que formam a base da estrutura psicológica de qualquer pessoa. Há um máximo de abstração com um mínimo de significado. O que o homem precisa é de significado. O significado, entretanto, vem de dentro, não de fora. O mundo não pode ser visto somente como físico, abstrato, objetivo - uma individualidade separada, absolutamente impessoal. O mundo pessoal, o único que cada um de nós conhece realmente, é o mundo pintado com as tonalidades de todos os nossos significados pessoais, conclui Arroyo.
O filósofo que não consegue ter uma compreensão holística do mundo e da relação de si mesmo com este mundo é meio-filósofo; aquele que ainda se refugia no mundo etéreo das idéias e da objetividade em busca da Verdade, nunca chegará à sabedoria - não saberá o que é philosophia.
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