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Mostrando postagens de outubro, 2020

Introdução

"Vi muitas pessoas que filosofavam muito mais doutamente do que eu; mas sua filosofia parecia, por assim dizer, estranha... Estudavam o universo como teriam estudado qualquer máquina que tivessem visto por curiosidade. Estudavam a natureza humana para poder falar sabiamente dela, não para conhecerem-se a si mesmos." Jean-Jacques Rousseau

A Comunicação

O amor ou a simpatia é a sintonia num determinado nível de vibração emocional. A disponibilidade e a receptividade criam o diálogo e ativam a troca de energias. Isto pode ocorrer entre duas pessoas, entre um grupo de pessoas ou de um grupo com o seu líder. A comunicação é fácil quando dizemos o que as pessoas querem ouvir, é a técnica dos políticos. A dificuldade de comunicação surge quando queremos transmitir algo novo e diferente, algo que foge do cotidiano, das relações normais entre as pessoas, do seu condicionamento psicológico. Afinal, para idéias novas exige-se esforço, dedicação e tempo, principalmente, quando essas idéias se relacionam a autos de fé, de crenças, de algo enraizado profundamente no consciente e no inconsciente da pessoa. Observamos que muitos têm verdadeiros escudos, barreiras mentais e emocionais que bloqueiam qualquer esforço no sentido de aceitar algo novo. O condicionamento psicológico, na maioria das pessoas, rechaça qualquer tentativa de aceitar algo que...

Eu não Sou um Intelectual

Eu não sou um intelectual, não tenho vocação para Filósofo, Psicólogo, Físico ou Teólogo. A minha profissão não está ligada a nenhuma dessas áreas. Move-me, entretanto, a necessidade do autoconhecimento. É uma inquietação existencial: Por que? Quem sou? Especializar-me numa determinada área, vai dar-me uma visão unilateral do meu mundo, mas não uma visão maior da realidade. Embora muitos digam que não se pode misturar religião, ciência e filosofia, eu preciso de determinadas áreas desses campos de conhecimento para desenvolver uma visão holística da realidade. A Ciência é a base para qualquer tentativa séria de identificar a realidade e conhecer a si mesmo porque trabalha com o mundo observável que pode ser medido e experimentado: o mundo externo ao sujeito; a Psicologia, a Religião e as ditas ciências ocultas têm como objeto o mundo interior ao sujeito e o mundo que jaz sob as aparências. Para completar a percepção do todo, a Filosofia: estudo geral sobre a natureza de todas as cois...

Eu sou outro Universo

Eu sou um outro universo totalmente diferente do seu, de você. Você me olha com os seus olhos, você me sente com os seus sentidos, você me compara com imagens e sons que estão armazenados no seu cérebro. As palavras que escrevo são palavras que não tem o mesmo significado para você e para mim. A imagem de árvore que você tem registrado no seu cérebro é diferente da imagem da árvore que está registrado no meu cérebro. Quando procuro ser objetivo saio de mim mesmo e coloco uma máscara parecida com os demais, uma máscara para mostrar que todos somos iguais, e então, eu já não sou eu, eu sou aquilo que os outros querem que eu seja, eu sou a minha máscara. Você conhece a minha máscara e, quando procuro mostrar o verdadeiro eu, você não me consegue ver porque a sua sensibilidade não permite que você enxergue além das aparências. Por isso você não me compreende. Eu ando a procura de uma outra estrela. Uma estrela que esteja, também, em busca da sua galáxia. Sabe você, que digo que perdi a es...

O Homem, só ele Nasce e só, ele Morre

O homem. Só, ele nasce e só, ele morre. De que lhe serve toda a sua riqueza material, toda a sua erudição e poder temporal, se ele não conhece a si mesmo. São poucos os que sentem a necessidade da busca interior. Quase todos estão voltados para fora, estudam os outros, o mundo à sua volta. Há aqueles que navegam pelo mundo das idéias, pensando e querendo encontrar as respostas na razão pura. É necessário, entretanto, chegar àquela profundidade que está além do pensamento ordenado, àquela verdade que reside na essência do ser. O homem pensa que é dotado de vontade própria, mas é apenas um ator que desempenha um papel escrito pela sua natureza individual. Ele pensa que é livre porque desconhece as causas inconscientes que motivam as suas escolhas. É livre para optar por coisas superficiais, acessórias, mas a sua vida desenvolve-se de acordo com a sua natureza individual. A vida não é um tornar-se com base em exemplos e ideais coletivos. Ela não tem objetivos ou metas a serem cumprida...

O que é a Verdade?

O real e o abstrato; o real e o ilusório; o verdadeiro e o falso; o objetivo e o subjetivo. Seria a objetividade o resultado da compilação ou combinação de todos os possíveis pontos de vista subjetivos? A verdade que se sente; a verdade que nos é dita; a verdade em que você acredita, a verdade que se percebe através dos sentidos. O que é a Verdade? Para Kant o conhecimento começa com a experiência, mas nem por isso origina-se nela. A experiência pressupõe o sujeito como condição de sua possibilidade, sem o que a palavra experiência nem teria sentido. O sujeito, então, deve apresentar capacidades ou faculdades que possibilitem a experiência e o próprio conhecimento. A primeira é a sensibilidade definida como a capacidade (receptividade) de obter representações mediante o modo como somos afetados por objetos. O conhecimento vem da percepção do objeto e dos conceitos, com as quais as representações são pensadas. C. G. Jung percebeu que cada sujeito tem capacidades ou faculdades ind...

Deus é Fiel

Deus é Fiel estava escrito no adesivo do vidro traseiro do carro que trafegava na minha frente. Fiel. digno de fé, que cumpre aquilo que se obriga; leal, honrado, íntegro, probo; que não falha, seguro, certo; que não muda, firme, constante, perseverante; exato, verídico, verdadeiro; que não rouba, honesto; que professa uma religião; que é amigo certo; diz-se daquele que não mantém ligações amorosas senão com a pessoa com quem se comprometeu (Aurélio - Século XXI). O homem porque divide o seu mundo entre o certo e o errado, Bem e Mal, espera-se que seja fiel a um lado, que tenha um partido, isto é, que siga o caminho certo ou o caminho errado, assim definido pelo código moral da sua gente. É inconcebível para o homem comum que seja diferente. Mas para quem consegue enxergar um pouco além dessa visão dual; para quem consegue compreender que o universo é o complexio oppositorum de que nos fala Nicolau de Cusa, é de todo evidente que o homem só pode e deve ser fiel a si mesmo. Sendo f...

A Sabedoria

Afirma o filósofo e físico L.L. Whyte, que a tradição intelectual do ocidente foi marcada por aquilo que ele chama de dissociação. Desde Platão, a dissociação entre o corpo e a mente, a personalidade e a natureza, o intelecto e o senso do sentimento e da intuição, tem impregnado toda e qualquer abordagem da vida, adotada pelo homem ocidental: intelectual, religiosa, econômica e política. Normalmente as raras exceções a esta tendência têm sido os poetas, os místicos e outros que estão situados na periferia da vida sócio-cultural. Continua Whyte: Se a natureza, no todo, é um grande sistema em perpétua transformação e desenvolvimento, a tentativa de isolar qualquer parte está destinada ao fracasso. Em particular, a separação do homem, como dependente, do campo da natureza objetiva, cega-o para a forma de vida apropriada para ele. O homem só pode compreender-se plenamente fundindo o conhecimento objetivo, obtido através da observação da totalidade da natureza orgânica, com o conhecimento...

O Caminho da Loucura

O caminho da loucura não é uma escolha. Usamos os termos caminhos, trilhas, porque são imagens que também se adaptam à descoberta do mundo interior. Assim como descobrimos, pesquisamos e estudamos o mundo externo e o nosso semelhante, chega o momento em que somos voltados para o nosso mundo interior. Sim, somos voltados porque poucas escolhas livres são concedidas ao ser humano ter. O mergulho no mundo interior é um processo que leva à loucura - uma psicose, segundo os especialistas - ou à iluminação, segundo a ótica de sábios e místicos. Se nos orientarmos por especialistas viveremos o resto das nossas vidas dopados e freqüentando analistas; se nos orientarmos por sábios e místicos poderemos chegar à plena consciência.

Tudo Nasce, Cresce e Morre

É necessário recomeçar? Não. É necessário continuar. Somente posso continuar. Não posso voltar e mudar. O meu berço não foi uma escolha e não havia caminhos a serem escolhidos. Se me fosse dado voltar no tempo e se me fosse dada a opção da escolha, construiria eu outro caminho? Certamente que sim porque este caminho no qual estou eu conheço. Por que repetir a mesma experiência se ela nada acrescentaria à minha vida? A beleza está no desconhecido. Se a vida pudesse ser totalmente planejada, totalmente segura, ela não seria vida. Entretanto, se eu voltasse no tempo era impossível seguir outro caminho. Impossível. As forças vitais fazem de mim um ser único, cuja única liberdade é seguir o seu caráter - conjunto de disposições congênitas que formam o meu esqueleto mental. Que posso eu contra as forças naturais, profundas e involuntárias que comandam a vida? Somente outro eu, com outro DNA, seria capaz de seguir caminhos diferentes daqueles que eu segui. Apesar de toda simpatia que tenh...

A Interpretação dos Sonhos

A Interpretação dos Sonhos é a grande obra de Freud. C. G. Jung escreveu Da Essência dos Sonhos. Pela leitura desses livros aprendemos que as imagens dos sonhos não têm apenas um sentido, mas muitos. E o sentido da maior parte dos sonhos não coincide com as tendências da consciência, mas revela tendências singulares. Parece haver uma compensação entre o consciente e o inconsciente. Observo que na interpretação dos sonhos há múltiplas possibilidades de explicação. Qual delas é a verdadeira? É algo extremamente complexo porque, na maioria das vezes, somente o sonhador - que é um universo - pode ter a chave do seu significado. No desenvolvimento do autoconhecimento começamos a compreender os nossos sonhos e... percebemos que eles são filmes montados pelo cérebro a partir de imagens da memória, bem como podem refletir desejos conscientes e inconscientes. Mas como esse é um mundo extremamente movediço e singular, é necessário tempo e amadurecimento, para que lhes compreendamos o significado...

Amar e Trabalhar

Lieben und arbeiten (amar e trabalhar) - realização afetiva e material - é a fórmula do bem viver, segundo Sigmund Freud. Essas são as necessidades básicas do ser humano segundo a ótica da cultura anglo-saxônica, pois sabemos que há culturas em que a segunda necessidade tipificada por Freud, geralmente, é considerada um castigo. A liberdade é essencial para que o homem se realize afetiva e materialmente. Novamente serei contestado por aqueles que pensam que um Estado socialista - onde a liberdade econômica é programada e restrita - deve promover o bem comum. Serei contestado também por aqueles que pensam que a realização afetiva deve obedecer a regras, tais como casamento heterossexual, monogâmico, etc. Observamos, então, que mesmo nas nossas necessidades básicas, a liberdade precisa ser conquistada. Ser livre, embora relativamente, é uma conquista. E depois da conquista, o preço é a eterna vigilância. Não podemos negar que a liberdade individual - física, de pensamento, de crença, ...

O Pensamento

Há aqueles para os quais a Ciência é a autoridade absoluta, esquecendo-se, entretanto eles, que também ela está em desenvolvimento e as suas descobertas são verdades relativas. O pensamento, para muitos, é uma atividade essencialmente intelectual que envolve somente o cérebro. Pensar, entretanto, envolve o todo, onde o cérebro é o centro de processamento de dados. Colocar a vontade a serviço da inteligência - e somente dela - impede o desenvolvimento integral. A erudição enciclopédica esconde, muitas vezes, uma personalidade mutilada. A abstração e o desenvolvimento intelectual parecem funcionar como um estorvo para a percepção da totalidade. Privilegiando a inteligência e a razão, o homem atrofia, por falta de uso, o sentimento, o intuitivo, o instintivo e o humano. É da natureza do intelecto dividir, separar e somar - processos analítico e sintético. Mas na formação da consciência aparece um componente a mais: o sentimento. O sentimento une, aglutina aquilo que o intelecto separa ...

O Prazer Move o Ser Humano

O prazer move o ser humano. Vive-se por prazer e morre-se quando não há mais prazer de viver. Mas a sensação do prazer mede-se pelo seu oposto, a dor. A vida, então, move-se, numa compensação, entre o prazer e a dor. Uma vida sem dor, portanto, é uma vida sem prazer e vice-versa. O esforço, o trabalho e o sacrifício de pequenos prazeres são necessários para que se obtenha um grande prazer. É um aprendizado. Afirma Nietzsche que o verdadeiro prazer consiste em estimulá-lo e não em satisfazê-lo. Este também é o princípio do Tantra. Observamos que a satisfação quando existe é momentânea e sempre se buscará a sua repetição ou ampliação. Por outro lado, uma das características do prazer é a singularidade. Cada indivíduo tem a sua fonte de prazer; o que pode ser prazeroso para um não o é necessariamente para o outro. O gosto capitoso do poder canta o poeta. O poder embriaga, mas acima de tudo o poder dá prazer. A vida do Ego é um jogo de poder. Muitos sacrificam tudo, absolutamente tudo, po...

Tudo é como Deve Ser

Todas as manifestações que compõem a realidade individual, todos os acontecimentos perceptíveis aos nossos sentidos são efeitos de forças inconscientes e/ou desconhecidas que jazem na Alma do Universo. A guerra e a paz não são efeitos das vontades conscientes. A energia da vontade individual e coletiva, embora possa influenciar na condução dos acontecimentos perceptíveis aos sentidos, tem a sua origem primeira numa ordem que está além da compreensão dos homens. O caldeirão de energias inconscientes de que é portador cada ser humano é uma força representativa da Lei que move o Cosmo. Os seres vivos são uma parcela deste Universo que está em expansão e em evolução. Chamamos de Acaso a acontecimentos para os quais não temos explicação, mas que resultam da combinação de uma série de fatores que geram o fato. O intelecto individual saberá relacionar as causas desde as mais absurdas até as mais coerentes porque para a sua segurança - do intelecto - ele necessita de certezas, ele precisa i...

A Morte é o Fim

A morte, para o Ego, significa o fim. Sim, a morte térmica é o fim indiscutível do Ego. Mas nem todos pensam assim, nem todos os Egos conseguem imaginar o seu fim.Vocês sabem porque as religiões fazem tanto sucesso? Porque elas afirmam que o Ego é imortal. Ele sobreviverá num céu ou inferno eternos segundo os católicos; reencarnará segundo outras. Elas não provam nada, apenas exigem a fé, e os Egos acreditam. Então, por via de dúvidas, a nossa civilização, com o apoio das religiões - algo que não consigo compreender: se, segundo elas, o Ego é eterno por que o temor da morte? - fazem tudo o que está ao seu alcance para prolongar a vida (vejam que o Império em guerra não mais coloca seus soldados em risco de vida - a sua tecnologia militar permite fazer isto -: somente o inimigo deve morrer). A vida é o bem supremo. Faz-se de tudo para preservar a vida do Ego como se homem tivesse poderes sobre a vida e a morte. Nascer, crescer, amadurecer e morrer é uma regra que se aplica a poucos. Dos...

Os Donatistas

Observa-se que as pessoas ditas religiosas, de uma maneira geral, aplicam a máxima façam o que eu digo mas não façam o que eu faço. Esse lugar comum na Igreja católica remete à excomunhão pelo Papa, dos heréticos donatistas por negarem que a benção conferida por um padre de vida desregrada era igual à benção conferida por um santo. Esta regra, na verdade, aplica-se a todos, na nossa vida diária. É o ideal que se confronta com a realidade. Façam o que eu digo é o ideal, o que eu faço é o real. Todos somos especialistas em dizer o que o outro deve fazer. Principalmente aqueles que tem poder, a começar pelos pais. Por outro lado é impossível viver em sociedade sem máscaras. É impensável a vida em que os nossos pensamentos e desejos mais íntimos fossem públicos. As máscaras precisam mostrar um ser humano ideal numa sociedade ideal. A razão e o ideal caminham juntos porque o ideal é um modelo construído pelo intelecto. O conflito entre o real e o ideal é a grande luta, a base que irá form...

Sentir

Sentir é a palavra. Sentir o clima, o astral, a energia que neste momento permeia o ar, a água, a mata e a praia. A percepção do Belo. O Belo é harmonia. Quando paro e olho para dentro de mim mesmo, eu sou dois: um eu é memória cerebral desta encarnação, o outro é instinto, eu profundo, memória genética. Onde está a mente? A mente é consciência, aquela que observa os dois. A mente não sente prazer ou dor, ela é o observador, o tertius, formando a Trindade. É perigoso o homem que pensa em mudar o seu semelhante e o mundo de acordo com os seus ideais. É perigoso o homem que pensa na existência de uma realidade objetiva, é perigoso o homem que pensa que somente existe uma realidade, seja a dos sentidos, seja a das idéias. Este homem tem um problema: é cego à diversidade do universo. O homem cego é aquele que mata as coisas do mundo porque não as compreende. Ele racionaliza a realidade, ele não sente, ele não se torna um com ela. A razão divide, o sentimento une.

O Código Secreto

Não há um código geral - cada um tem o seu código secreto - mas quando estamos no rebanho acreditamos que somos todos iguais, somos todos filhos de Deus. Essa igualdade torna a vida fácil e confortável, pois basta seguir as regras que são gerais. Para todas as dificuldades há soluções. Se alguém não cumpre as regras vai preso, se é louco vai para o manicômio, se está doente do pé, vai para o hospital. No rebanho há solução para tudo. Você estará amparado pelo grupo. Mas aquele que se separa do rebanho o faz por uma necessidade instintiva porque já não suporta a mediocridade e a mesmice. Ele precisa descobrir o seu código secreto, a sua verdadeira identidade, pois sabe que não é igual aos demais. Aventurar-se num universo desconhecido, só, consigo mesmo, subir a montanha com os seus mistérios, sombras, perigos e miragens sem ter uma mão amiga para segurar, tendo como única companhia a vontade de chegar, não é uma escolha racional. Mas quem está descobrindo o seu código secreto começa a...

A Voz Interior

Eu me incomodo sempre que leio a frase: ouça a sua voz interior. Sabe por que? Porque eu tenho duas vozes interiores conflitantes que quase nunca se entendem e que provocam um confronto profundo: são idéias e sentimentos. Uma segue a razão e a lógica e a outra a sensibilidade (sentimento, instinto, intuição). Então se alguém me diz para seguir a voz interior eu pergunto: qual delas? A voz da razão, dirão vocês. Mas por que precisa prevalecer a razão? Esta será uma decisão, no nosso caso, de valor cultural que a maioria impõe. E o que é pior: dizem que é natural e lógica. Mas a força da vida é inconsciente e segue seu próprio curso não se interessando pela nossa razão e pela nossa lógica. Observamos, então, que o homem vive em meio a esse conflito entre a razão e a sensibilidade, cujo equilíbrio - o caminho do meio - é o caminhar num fio de navalha. É necessário, portanto, escutar o coração e a razão. A voz interior sempre tem duas respostas que eventualmente podem ser iguais.

Os Porquês

Os infinitos - ou seriam finitos? - porquês da vida. Já fiz até um poema sobre os por quês que me perseguem. Isto - me diz meu mestre interior - é um karma. O por quê de hoje é um assunto sobre o qual muito tenho pensado. Por que as religiões usam da tortura psicológica contra crianças, cuja personalidade está começando a se formar, para impor os seus dogmas e as suas verdades, usando ainda pais, avós e professores como algozes e que, na verdade, também são vítimas dessas mesmas instituições? O que pode o indivíduo contra o sistema, a ânsia de dominação que domina todos os eus e que cria instituições - religiosas, civis e militares - para fortalecer esse poder egoísta? Se o espírito nasce livre por que acorrentá-lo desde o nascimento com ideais, verdades, crenças, deuses e demônios?

A Verdadeira Liberdade

Sistemas, métodos, técnicas, processos para configurar e moldar a alma (psique) da criança de acordo com ideais, verdades e crenças, esquecendo-se que cada ser humano vem ao mundo para adquirir a sua própria experiência e conhecimentos, para desenvolver os seus próprios talentos e não para transformar-se num robô do grupo, do sistema religioso ou político dominante. A alma é marcada com ferrete quente que os anos futuros dificilmente conseguirão apagar. Cuidar sim das suas necessidades primárias, orientá-la e protegê-la até determinada idade e então soltá-la e deixá-la avançar, construindo seu próprio caminho. Qualquer desejo de controle é uma forma terrível de condicionamento. O jovem deve ter a oportunidade de aprender as coisas do mundo e da vida à sua maneira com a liberdade de poder escolher instintivamente, ou aconselhar-se se assim o desejar, para o que será melhor para o êxito da sua vida. Mas o egoísmo e o desejo de dominação da família e da sociedade, quase sempre, são mais ...

Ser Pai

Ser pai é acompanhar a gravidez da mulher e o parto do filho, trocar fraldas, tentar acalmar os seus choros provocados por gazes, fazer a mamadeira, vê-lo dar os primeiros passos, falar as primeiras palavras, levar e buscá-lo no Jardim, ajudá-lo a fazer os seus deveres - que muitas vezes tornam-se tarefas para os pais e não para os filhos -, levar e buscá-lo no colégio até atingir a maioridade. Ser pai é ser um amigo em todas as etapas da vida, mesmo que ele, em algum momento, por motivos diversos, não aprecie essa amizade. Levá-lo a passeios com a família pelo campo, a jogos de futebol, a pescarias e vê-lo tornar-se homem. E, aos poucos, você percebe que seu filho não é como você queria que ele fosse, ele é outra pessoa. Então você descobre que você precisa amá-lo como ele é, apesar de todos os ideais e expectativas que você teve, por mais difícil que isto seja, porque, afinal, ele é o seu filho.

Placebo

Alguns a chamam de fé, outros de pensamento positivo, outros força do inconsciente, outros de força mental, outros de poder da vontade. Todas as religiões, seitas, gurus e assemelhados fazem sucesso porque usam as possibilidades que esta força desconhecida e que não pode ser manipulada, apresenta. Ninguém é dono dela, mas ela sempre se manifesta. O beneficiado precisa ter méritos dizem alguns; precisa ter fé dizem muitos; precisa de rituais, advogam outros, mas ninguém, ninguém pode afirmar que a controla, embora todos afirmem que está do seu lado, que é seu aliado. Ela é o deus desconhecido que muitos identificam como seu. Milagres acontecem. Através de pesquisas científicas descobre-se que mais de 30% - que em alguns casos atinge 60 a 70% - de curas tem origem nessa força desconhecida. Ela pode manifestar-se, independentemente da sua crença, da sua fé ou da sua religião. Penso: somente agradeça.

O Tempo

Segundo Platão, eidos, essências ou Idéia, o modelo das coisas sensíveis é eterno e imutável, objeto de contemplação do pensamento. Aristóteles fala em causa primeira: imóvel, ato puro sem potência e pura forma, a causa primeira pôs em movimento o conjunto do universo. Plotino fala no Uno: não é uma coisa, nem o Ser, nem a Idéia, nem a Forma. O Uno é o que faz com que cada coisa, ser, idéia ou forma, seja o que é. Anaxágoras fala de nous: a origem do movimento e da pluralidade. Ele é autônomo, não se mistura com as coisas, mas as dirige. Em tudo é incluída parte de tudo. Kant formula a doutrina da idealidade do tempo, segundo a qual o tempo concerne apenas ao fenômeno e não à coisa-em-si. Penso que passado, presente e futuro, o calendário, o tempo, é um condicionamento. Será que há uma relação de causa e efeito no tempo? Penso que é somente uma forma de se ver a realidade, uma perspectiva, uma visão condicionada que usa o tempo como referência. O que você fez ontem se reflete no ...

Viver em sociedade é um jogo de poder

Viver em sociedade é um jogo de poder. Mas todo o jogo de poder, individual e coletivo, é um aprendizado que forma um condicionamento. A adaptação ao sistema é proporcional ao condicionamento do indivíduo. O que eu quero dizer é que o indivíduo não é livre, mas condicionado e, mesmo quando ele age pensando ser livre, ele apenas responde a um estímulo condicionado que pode trazer prazer ou dor. Mas, no fundo, é a natureza individual que determina as ações e reações nesse jogo de poder. Florianópolis, 13 de dezembro de 2003.