O Homem, só ele Nasce e só, ele Morre
O homem. Só, ele nasce e só, ele morre. De que lhe serve toda a sua riqueza material, toda a sua erudição e poder temporal, se ele não conhece a si mesmo.
São poucos os que sentem a necessidade da busca interior. Quase todos estão voltados para fora, estudam os outros, o mundo à sua volta.
Há aqueles que navegam pelo mundo das idéias, pensando e querendo encontrar as respostas na razão pura. É necessário, entretanto, chegar àquela profundidade que está além do pensamento ordenado, àquela verdade que reside na essência do ser.
O homem pensa que é dotado de vontade própria, mas é apenas um ator que desempenha um papel escrito pela sua natureza individual. Ele pensa que é livre porque desconhece as causas inconscientes que motivam as suas escolhas. É livre para optar por coisas superficiais, acessórias, mas a sua vida desenvolve-se de acordo com a sua natureza individual. A vida não é um tornar-se com base em exemplos e ideais coletivos. Ela não tem objetivos ou metas a serem cumpridas. Viver é desenvolver potencialidades inatas. Viver é experimentar, aprender e compreender.
A civilização é uma construção coletiva em que cada ser humano é uma peça. Nela o prazer individual é restringido em favor do bem comum. A energia da vontade, através da disciplina, é canalizada para o desenvolvimento do grupo. O prazer, a alegria, as lutas, as vitórias e o sucesso são resultados de um esforço coletivo baseados em ideais que buscam o bem comum. Toda essa conquista, entretanto, baseada na repressão e no direcionamento das energias é colocada em cheque - geralmente, na segunda metade da vida - pelas forças profundas, naturais e involuntárias - os instintos - que governam a vida. Pode ocorrer, então, uma autotransformação, também chamada de individuação por Jung, renascimento pelo espírito, pela Bíblia. É uma crise existencial. A depressão e a ansiedade - a neurose - não são doenças, mas sintomas desse processo. As energias instintivas e inconscientes, reprimidas e castradas pelos ideais coletivos, procuram romper o status quo. Embora todo o esforço do superego auxiliado pelos meios médicos oficiais seja o de manter o seu poder sobre a personalidade, seja por meio de terapias, análises e/ou medicações, a evolução processa-se de acordo com as energias individuais. Se estas forem suficientemente fortes para usar aqueles meios em proveito próprio, eles serão abandonados proporcionalmente à evolução da consciência. Deste processo nasce um novo ser, um novo homem, um homem cosmoconsciente, um in-divíduo.
Na nossa civilização o in-divíduo (sujeito altamente individualizado) é colocada à margem da sociedade. Todo o esforço coletivo é direcionado no sentido de impedir a sua existência. Ele é um perigo para o rebanho. Ele é a exceção e como tal é isolado porque foge à regra da igualdade. Ser um in-divíduo não significa ter personalidade própria (persona - máscara) ou ser um líder. Este é o eleito da massa: canaliza os desejos conscientes e inconscientes de um grupo, representa, personifica um segmento e/ou determinada sociedade. Ele também é massa. O in-divíduo é único e, por isto, não aceitará seguidores, discípulos ou eleitores embora a sua aura, muitas vezes, atraia multidões. Ele não se identifica com a massa - o homem comum, normal - porque está num outro nível de consciência. Ele é um in-divíduo, uma unidade.
No processo de autotransformação, há a evolução da consciência, em amplitude e profundidade, da inconsciência para a consciência - da ignorância para a iluminação. É o despertar de um sono sedado, de uma embriagues, uma batalha contra as trevas, as ilusões e os condicionamentos.
Despertar, tomar plena consciência da sua realidade é ser verdadeiramente homem.
Comentários
Postar um comentário