Os Donatistas

Observa-se que as pessoas ditas religiosas, de uma maneira geral, aplicam a máxima façam o que eu digo mas não façam o que eu faço. Esse lugar comum na Igreja católica remete à excomunhão pelo Papa, dos heréticos donatistas por negarem que a benção conferida por um padre de vida desregrada era igual à benção conferida por um santo. Esta regra, na verdade, aplica-se a todos, na nossa vida diária. É o ideal que se confronta com a realidade. Façam o que eu digo é o ideal, o que eu faço é o real. Todos somos especialistas em dizer o que o outro deve fazer. Principalmente aqueles que tem poder, a começar pelos pais. Por outro lado é impossível viver em sociedade sem máscaras. É impensável a vida em que os nossos pensamentos e desejos mais íntimos fossem públicos. As máscaras precisam mostrar um ser humano ideal numa sociedade ideal. A razão e o ideal caminham juntos porque o ideal é um modelo construído pelo intelecto. O conflito entre o real e o ideal é a grande luta, a base que irá formar a moral. O ideal é a máscara sob a qual repousa o real. Mas por que essa obsessão em mostrar o que não se é? É a única forma de convivência social que o homem encontrou. Este homem é a pessoa de consciência mediana. Entretanto, o homem culto, erudito e informado não é necessariamente um indivíduo mais consciente. O que é consciência? É um valor subjetivo que inclui a erudição, a experiência, o sentimento e a intuição. Um ser humano de elevado nível de consciência, que conhece a si mesmo e a sua realidade, é um ser amoral. As regras morais somente são necessárias para aquele que vive na inconsciência e, por isto, incapaz de viver em sociedade sem as amarras que as normas impõem.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Introdução

O que é a Verdade?

A Comunicação